sexta-feira, janeiro 07, 2011

O que são dias ruins? [6/6]



Empurrei todos que estavam em minha frente sem pedir licença, queria saber o que era e estava com um mau pressentimento.
–LAUREN. Gritei.
O bombeiro chegou até mim: – Você a conhecia?
–Sim, é claro. Ela estava morando comigo, eu havia acabado de pedi-la em casamento. Por que Lauren? Por quê?
–Fique calmo filho!
–CALMO? A única mulher que me deu bola nessa vida tá estirada no chão e você me pede calma? Ela está viva?
–Infelizmente não.
Fiquei sem forças para me aguentar de pé, cai de joelhos no chão, olhava para o céu e perguntava: Por que, Por quê?
Os bombeiros a levaram para o IML e ligaram pra família (não sei como conseguiram os telefones da família dela).
Ainda não acreditando subi para meu apartamento. Olhei tudo completamente arrumado (ela era boba, deve ter arrumado como uma forma de pagamento por tê-la acolhido). Fui até a janela, olhei pra baixo. Lembrei-me do sorriso dela e comecei a chorar.
Muitas coisas vieram a minha cabeça (ela se foi e eu não descobri o que era naquela tatuagem).  Não conseguia fazer nada, não queria fazer nada. Eu só queria beijar Lauren novamente.
Vasculhei a casa, ela não deixou uma carta de suicídio. Alias, será que foi um suicídio?
Lucas apareceu no meu apartamento, estava meio que aturdido e com as dobras dos braços roxas e furadas. Agora eu sabia a droga que ele usava.
– Ai babaca qual é seu nome mesmo? É Enzo né?
– O que você quer?
– VOCÊ MATOU A LAUREN!
– Eu? Cara, eu tinha acabo de pedir ela em casamento.
Ele segurava um papel. Será que era a carta que eu procurava?
Lauren era previsível e sabia que eu não gostava de mistérios e ansiedade, mesmo numa situação dessa ela deixaria uma explicação.
– Desgraçado, tá vendo esse papel na minha mão?
Ele atirou o papel na minha mesa de centro e saiu do meu apartamento tirando uma seringa do bolso.
“CASAR? Eu não estava pronta, não quis tentar. Você foi um anjo e não merecia ouvir não sair de minha boca, boca que sorriu pra você, boca que te beijou... Fazia uma semana, e eu não tinha pra onde ir. Estava confusa e traumatizada. Foi tudo muito rápido. Eu não sabia se te amava, não sei realmente o porquê de tudo isso. Desculpe-me por tudo”.
Aquela carta não me disse nada, não tinha motivos explícitos pra se pular da janela de um prédio.
Eu li e reli a carta, varias vezes. Não fazia sentido, era mais simples só dizer não.
A janela estava aberta, olhei no relógio, 00h01min. Já era segunda-feira.
Fui me aproximando para ver a altura da queda que levou minha amada, e num surto de desespero simplesmente saltei. Fui sem descobrir que tatuagem era aquela que começava não sei a onde e terminava só no pescoço.

FIM

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