sexta-feira, janeiro 07, 2011

O que são dias ruins? [5/6]



Os dias passaram rapidamente ao lado de Lauren, foi como um conto de fadas o qualquer coisa do tipo. Foi magico e inacreditável. Era domingo novamente, fazia uma semana que ela estava lá.
– Bom dia, linda.
Ela não respondeu. Somente se espreguiçou de forma graciosa sorrindo.
Fui escovar meus dentes, preparar um café...
Voltei no quarto depois de alguns minutos, Lauren estava olhando pela janela.
– Já é domingo, ou seja, já faz uma semana. Amanhã volto a trabalhar e tenho que procurar um lugar pra ficar. Chega de ficar te amolando.
– Eu já te falei, pode ficar quanto tempo quiser...
– É eu sei. Mas não quero que pareça que só estou com você por que preciso de um lugar pra ficar.
– Olhe Lauren, foda-se o que os outros irão dizer e pensar. Se quiser fique, ficarei feliz.
– Você é meu anjo.
– Vamos tomar o café antes que esfrie.
Na cozinha ela serviu o café pra gente, ela insistia de me provocar, usava blusas decotadas e ficava se exibindo. Eu adorava.
Depois do café falei: – Ah, não quero ficar em casa hoje. Vamos sair? Cinema, teatro... Sei lá.
– Enzo, eu fiz um curso de fotografia e tenho uma câmera até que legal, sei lá, vamos passear no Ibira (parque do Ibirapuera), tomar um ar registrar momentos e paisagens.
– Adorei a ideia, vou me ajeitar e já vamos.
– Farei o mesmo.
Nós pegamos a câmera e descemos pelas escadas, eu não gostava de elevador. Tinha medo (era segredo).
Achei que íamos de ônibus, mas ela falou: - Ei, aonde você vai? Meu carro tá no estacionamento.
Ela tinha um carro e sabia dirigir, duas coisas sobre ela quais eu não sabia.
– Ah, legal, vamos de carro.
Percurso não muito longe do meu apê pro Ibira, em uns 20 minutos já estávamos lá.
Estacionamos, e fomos andar.
O dia estava bonito. Céu azul, poucas nuvens e o sol radiante.
Ela ficava perambulando de um lado para o outro fotografando e sorrindo para mim, eu a seguia e correspondia a todos os risos.
Sentamos em baixo de uma árvore para que ela me mostrasse às fotos.
Passa uma, passa outra... Um beijo.
Estávamos suados.
– Sabe Enzo, eu fiquei seis meses com o Lucas e não consegui dizer “eu te amo” se quer uma vez. Apesar de tudo que te falei, nunca tive coragem.
Eu não queria falar sobre aquele babaca, então a beijei.
– Eu te amo. Ela falou.
Não respondi com palavras, às vezes gestos falam mais alto.
– Lauren, quer casar comigo?
Ela arregalou os olhos, olhou para os lados...
– Você é louco? Está avançado rápido demais.
– Sim ou não?
Eu estava a pressionando, sabia que podia estragar tudo com isso.
Vamos voltar pro seu apartamento, à gente conversa no caminho.
Ela veio a 120 km/h em locais em que a velocidade máxima permitida era de 90 km/h, dava pra ver o nervosismo nos olhos dela. Casar? Era uma loucura, ela me conhecia a uma semana e tinha medo de se ferir no amor, novamente. O foda é que eu sabia de tudo isso e mesmo assim tentei.
Chegamos... Subimos as escadas rapidamente.
–Enzo, casar?
–Sim ué? Por que não? Eu te amo e você me ama, é o que as pessoas que se amam fazem, se casam.
–Cara, você é louco.
–Se você chama amor de loucura, sim sou louco.
Ela não sabia se sorria ou chorava. Queria dizer sim e ao mesmo tempo não, estava certa de que eu era um anjo e ao mesmo tempo errada sobre tudo, confusa. Pediu um tempo.
–Ok, você tem seu tempo. Quanto tempo for preciso.
Já eram 19h47min, muita coisa tinha acontecido. Ela estava deitada no sofá a umas duas ou três horas, eu estava no quarto deitado com o fone no ouvido.
Saltei da cama e fui até a sala.
–Lauren, tô saindo. Vou dar uma volta, respirar.
Eu a beijei na testa e sai, ela não correspondeu com um sorriso como costumava fazer. Ignorei, ela estava nervosa. Simplesmente desci as escadas.
Dei a volta no quarteirão. Duas vezes.
Chegando a porta do prédio vi um tumulto, carro de ambulância, a mídia e os curiosos. Eu fui ver o que estava acontecendo, alias, era na minha porta.

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