sexta-feira, janeiro 07, 2011

O que são dias ruins? [3/6]


Fui pro meu computador e comecei a checar tudo, vi que estava nos conformes... Liguei na empresa para saber se eles queriam alguma mudança no sistema, e pra minha sorte a resposta foi que não.
Foi rápido, coisa de 40 minutos e eu já estava livre.
Fui até Lauren e disse: – Terminei, podemos ir buscar suas coisas? Não quero aquele idiota te atormentando novamente.
Lá fomos nós buscar tudo.
Ela subiu as escadas na minha frente, uns três degraus adiantada. Eu vi a polpa da bunda dela sem que percebesse, ela era realmente um tesão.
Chegamos à porta do apartamento do Lucas, ela abriu e fomos entrando.
Rapidamente Lauren recolheu tudo e colocou numa caixa grande, eu gentilmente me ofereci pra carregar até meu apartamento. Ela não se cansava de agradecer, eu até me sentia mal por ouvir tantos agradecimentos.
De volta a meu apartamento ela me disse que pretendia ficar até o olho roxo voltar ao normal. Gentilmente falei que ela podia ficar o quanto quisesse e fosse necessário, ela agradeceu.
Timidamente ela perguntou se podia usar o computador.
– Claro! (não deixei ela tocar no meu computador de trabalho, é lógico. Permiti que ela usasse um notebook que eu guardava para as emergências).
Ela espetou um pen-drive e colocou um som pra tocar enquanto lia os e-mails dela.
A música que estava rolando era da banda Rise Against, Savior. Ela tinha bom gosto.
Assustada ela exclamou: – Preciso ligar na agência. Em seguida pausou o som.
Busquei o telefone móvel e dei na mão dela.
Ela ligou: – Oi, é a Lauren. Só liguei agora por que só agora tive forças pra ligar.
A moça do outro lado da linha deve ter ficado preocupada e assustada, Lauren segurava uma gargalhada.
Ela inventou qualquer coisa que eu não dei muita atenção, eu olhava para tatuagem dela, eu estava curioso para ver todo o desenho e ao mesmo tempo apreensivo de pedir para olhar e ela me achar um tarado, otário, idiota, o qualquer coisa do tipo. Simplesmente desejei calado.
Ao desligar o telefone ela falou: – Bem, me deram uma semana para ficar em casa, vai descontar do meu salario, mas tudo bem. Melhor perder uma semana de trabalho do que ter que explicar um olho roxo.
Sorri timidamente e aprovei dizendo “É verdade”.
Ela deu play novamente, o som rolando, ela continuou lendo os e-mails e eu sentei na poltrona observando.
– Enzo, eu quero te fazer uma pergunta, não quero ser grossa, por favor, não me leve a mal.
– Ok, Lauren, odeio ficar curioso, e principalmente deixar as pessoas curiosas. Pergunte-me qualquer coisa, não vou ficar bravo.
– Hmm... Ok! Você é gay?
Dei um sorriso sarcástico e falei: – Não, não. Por quê? Transpareço isso?
– Não, me desculpe. Fui grosseira. É por que eu estive pensando... Estou aqui a um tempinho e você foi tão gentil, nem me conhecia e me acolheu sem pedir nada em troca, sem tentar nada ou ao menos flertar.
– Olhe Lauren. Sua tatuagem que começa não se sabe a onde e só termina no pescoço me deixa louco, você é linda, mas sinto não devo tentar nada com você. Iria parecer que só te acolhi por que tinha más intenções.
O rosto dela ficou avermelhado, ela olhou para o chão, depois olhou no meu rosto sorrindo timidamente.
– Você é um fofo.
Eu olhei para os lados, pra janela... Uma vontade de enterrar a cara no chão, pular da janela. Fazer qualquer coisa pra sair dali. Um programador não está acostumado a se socializar com outros humanos, ainda mais com mulheres lindas.
– Desculpe Lauren, eu não deveria ter dito aquilo.
Ela ainda com a blusa daquele idiota puxou o ombro da camisa e falou: – Você quer ver toda a tatuagem?
Eu respondi: – Olhe. Querer eu quero, mas não. Desculpe, eu não devia ter dito isso, estou me sentindo um idiota.
Lauren sorriu e disse: – Não se sinta mal.
Ela deu play na música novamente, tocaram discos e mais discos. Quando eu vi já era noite.
– Nossa, o tempo voou Enzo.
– É, é verdade. Vou pedir pizza, novamente...
– Não Enzo, vamos fazer assim: Você vai até a farmácia e pede ao farmacêutico alguma pomada pra tirar olho roxo... Eu te dou o dinheiro, você passa num restaurante japonês que tem aqui perto e compra duas yakisobas pra gente, pode ser?
– Hmm... É claro.
Ela me deu a grana e eu parti.
Em questão de 40 minutos eu já estava de volta. Olhei no relógio e eram 21h45min. Lauren tinha tomado banho e vestido uma blusa decotada e um short jeans curto... Ela já se sentia a vontade.
Não sou um grande fã de comida japonesa e nem me dou muito bem com os hashis, topei mesmo assim pra agrada-la.
Lauren olhou pra minha cara, eu lutava contra o hashi tentando manipula-lo. Ela se levantou, passou atrás da minha cadeira e delicadamente pegou em minhas mãos me mostrando como se fazia. O perfume que ela usava era maravilhoso. Fui bem recompensado, olhei pra trás para agradecer pela aula e vi um majestoso decote.
Ela percebeu que meus olhos fitaram seus peitos, mas não falou nada. Simplesmente sentou novamente em sua cadeira e voltou a comer.
Tentei puxar algum assunto enquanto comíamos, mas nada deu certo. Então desisti, terminei de comer, escovei os dentes e desejei uma boa noite.
– Hey, Enzo. Você tem hora pra acordar amanhã?
– Não Lauren, por quê?
– Bem, estou sem sono. Posso ver televisão? Alias, fica pra assistir comigo?
Eu não recusaria, ela já sabia disso. Ela aprendeu muitas coisas sobre mim em pouco tempo.
A noite estava fria, peguei um edredom. Nós sentamos no sofá grande, eu numa ponta, ela na outra e o meio vazio.
Ela ligou a TV e começou a procurar um canal...
Sintonizou na fox, estava passando o filme “como se fosse a primeira vez”, meu ponto fraco, adorava comédias românticas e as vezes chorava. E por ironia do destino, esse filme é o mais lindo de todos, já vi dezenas de vezes. Eu não queria chorar na frente da Lauren, mas também não queria pedir pra trocar de canal.
Fiz um comentário: – Eu adoro filmes desse tipo.
Ela respondeu com um sorriso.
Já tinham se passado uns 30 ou 40 minutos do filme ela comentou:
– Nossa! Tá frio aqui Enzo, vem aqui do meu lado pra ver se esquenta.
 Aquilo soou convidativo, eu fui sem más intenções.
O Henry já estava conquistando a Lucy pela quarta ou quinta vez. De repente ouço um choro baixinho, era Lauren.
– O que foi Lauren?
Ela olha no meu rosto e me abraça.
– Obrigado, você está sendo ótimo pra mim.
– Não precisa agradecer!
Ela me via não como um cara que a hospedou, eu já era o melhor amigo dela. E percebia isso.
– Calma, não precisa chorar boba. Vamos terminar de assistir o filme.
Continuamos a assistir, só que agora abraçados. Eu nem percebi, ela tinha dormido em meus braços. Eu não queria sair dali, não queria a deixar dormindo no sofá novamente. Eu tinha uma cama de casal no quarto, mas não ia por ela pra dormir comigo. Lauren poderia ficar brava.
Carreguei-a no colo até minha cama e a coloquei lá. Não, eu não dormi com ela. Voltei pra sala, deitei no sofá e rapidamente cai no sono.

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